Muita gente ainda trata a depressão como “drama”, como se fosse apenas uma falta de vontade, frescura ou exagero de pessoas emocionadas. Esse olhar limitado vem da tendência humana de acreditar apenas no que é visível. Quando alguém quebra um braço, todos entendem a dor porque o gesso está ali e serve como uma prova do sofrimento. Mas quando o sofrimento acontece dentro da mente, sem marcas aparentes, muitos gente dificuldade de compreender.
O fato de a depressão não deixar hematomas não significa que ela não seja real. Pelo contrário: é uma condição séria, complexa e profundamente fisiológica.
Do ponto de vista neurológico, a depressão envolve alterações reais no cérebro! Não é apenas “tristeza”. Estudos mostram que regiões como o hipocampo, a amígdala e o córtex pré-frontal podem funcionar de forma diferente durante um episódio depressivo. Há mudanças na forma como o cérebro processa emoções, regula o humor e reage ao estresse.
Além disso, neurotransmissores (como serotonina, dopamina e noradrenalina) podem estar desequilibrados. Eles são mensageiros químicos responsáveis por regular a motivação, prazer, energia e o bem estar. Quando esses sistemas não estão funcionando da forma que devia, a pessoa pode sentir cansaço extremo, perda de interesse, dificuldade de concentração, sensação de vazio e uma dor emocional que é invisível, mas intensa como uma dor física.
A depressão também afeta o corpo: altera sono, apetite, sistema imunológico e até a percepção da dor. Essas mudanças são claras e mostram que se trata de uma doença que vai muito além de apenas se sentir "triste" ou "desanimada" envolve circuitos cerebrais, hormônios e processos biológicos complexos.
Por isso, reduzir a depressão a drama é ignorar uma realidade científica, mas o pior de tudo é invalidar o sofrimento de milhões de pessoas. Empatia e informação são muito importantes. As pessoas precisam entender que depressão é uma condição médica, não é uma escolha.