30 dezembro, 2016

Loki: um vilão que queria aprovação do pai


No primeiro filme de "Thor", Loki é apresentado como um personagem profundamente marcado por questões familiares, especialmente por causa da relação complicada com Odin, seu pai adotivo. Embora inicialmente pareça ser apenas o irmão invejoso de Thor, uma análise mais profunda revela que muitos dos conflitos de Loki estão enraizados em sentimentos de rejeição, inadequação e desejo de reconhecimento paterno, elementos clássicos de um comportamento associado aos chamados "daddy issues."

Psicologicamente, Loki cresce acreditando que é o filho legítimo de Odin, destinado a grandes feitos em Asgard, mas que por algum motivo, nunca chegam a ele, ao longo do filme ele descobre a verdade sobre sua origem: ele é na realidade um gigante de gelo que foi adotado por Odin. Essa revelação desencadeia uma crise identitária profunda. O que para um indivíduo emocionalmente seguro poderia ser apenas uma surpresa, para Loki representa uma ameaça à sua própria autoestima e ao senso de pertencimento. Ele que já se sentia deixado de lado passa a se sentir traído, excluído e desvalorizado, não apenas em relação a Odin, mas em relação a toda a família e à sociedade de Asgard.

Esses sentimentos de rejeição e inadequação se manifestam em comportamento controlador e manipulador. Loki procura constantemente formas de provar seu valor e competência, mas de uma maneira disfuncional, muitas vezes através da manipulação e mentiras. Por exemplo, seu plano de usurpar o trono de Asgard não surge pelo desejo de poder, mas de uma necessidade profunda de ser reconhecido e admirado por Odin, que o pai o reconheça como merecedor daquela posição tanto quanto ou mais que Thor. Ele acredita que, ao conquistar o trono, poderá finalmente ganhar o amor e a aprovação que sente que lhe foram negados.

Além disso, a rivalidade com Thor é intensificada pelos sentimentos de inferioridade. Loki compara constantemente suas habilidades e virtudes com as de seu irmão, o que gera inveja e ressentimento. Psicologicamente, isso evidencia traços de narcisismo vulnerável: Loki demonstra uma necessidade intensa de validação externa, mas também possui inseguranças profundas que o tornam sensível à rejeição e à humilhação. Cada gesto de Thor ou cada demonstração de preferência por parte de Odin é percebida por Loki como uma confirmação de sua própria inadequação.

O comportamento de Loki no filme também pode ser compreendido como uma forma de defesa contra a dor emocional. Ao manipular e trair, ele mantém uma sensação de controle sobre sua vida e sobre os outros, tentando preencher o vazio deixado pela ausência de um amor incondicional paterno. Essa busca de poder e reconhecimento, embora prejudicial, funciona como uma tentativa de reconstruir sua identidade e afirmar sua importância no mundo.

Em resumo, os "daddy issues" de Loki no primeiro filme de "Thor" constituem a base psicológica para as ações de Loki. Sua inveja, manipulação, desejo de poder e conflito com Thor são todos amplificados por sentimentos de rejeição, inadequação e busca de aprovação. O que o filme apresenta como antagonismo familiar é uma exploração das dores emocionais de uma pessoa que nunca se sentiu verdadeiramente amado ou valorizado pelo pai que idealizou e que procurava aprovação.

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